Ato 1
Com pesos ajustáveis, um neurônio resolve mais do que parece
Um neurônio recebe entradas, multiplica cada uma por um peso, soma tudo com
um viés e decide: liga ou não liga. Geometricamente, isso é traçar uma reta
e perguntar de que lado cada ponto caiu. Treinar é mover essa reta até que
ela separe as classes.
A regra do Perceptron é quase grosseira na sua simplicidade:
só mexe nos pesos quando erra. Acertou, não toca em nada. Por isso a reta
anda aos trancos — fica parada enquanto tudo vai bem e dá um salto a cada
tropeço.
O Adaline muda uma coisa só, e muda tudo: em vez de medir o
erro depois da decisão, mede antes, na soma crua. Como esse número quase
nunca bate exatamente com o alvo, há correção em praticamente toda iteração.
A reta passa a deslizar, e o gráfico de erro troca a escada por uma curva.
Troque a regra de treino no seletor e compare — é o mesmo ponto de partida.
O caso NAND, que quase ninguém conta
No neurônio original de McCulloch e Pitts, de 1943, os pesos eram fixos,
escolhidos à mão. Nesse modelo o NAND exige dois neurônios
encadeados: um faz AND, o outro inverte. Mas o NAND é linearmente separável
— ou seja, uma reta dá conta dele. Com pesos aprendidos, um único
neurônio resolve, como você pode conferir acima.
A diferença não estava na dificuldade do problema. Estava em poder ajustar os
pesos. Foi exatamente esse o salto do Perceptron sobre o MCP.